Sobre a curadoria das fontes
Como traduzimos clinicamente plantas não-clássicas para o framework ayurvédico no catálogo Om.
O problema
A matéria médica ayurvédica clássica (Bhāvaprakāśa, Caraka Saṃhitā, Sushruta Saṃhitā, nighantus) documenta diretamente apenas algumas centenas de plantas — quase todas nativas ou de uso histórico no subcontinente indiano. Plantas brasileiras, europeias ou chinesas tradicionalmente medicinais não constam nesses textos.
Para que essas plantas possam ser usadas dentro de uma prática ayurvédica responsável, precisam ser traduzidas para o vocabulário clínico ayurvédico (rasa, vīrya, vipāka, guṇa, karma, efeito dóshico). Essa tradução não é documentação clássica — é interpretação.
Metodologia
Para cada planta não-clássica, combinamos três camadas de evidência:
- Fonte regulatória / oficial da tradição de origem (quando disponível): indicações terapêuticas aprovadas, posologia, precauções, contraindicações.
- Literatura etnobotânica / clínica tradicional: uso histórico documentado, partes utilizadas, preparações, sinergias.
- Framework ayurvédico contemporâneo: tradução das evidências acima para rasa, vīrya, vipāka, guṇa e karma, com base nos critérios farmacológicos do ayurveda (sabor, potência, efeito pós-digestivo, qualidades, ação).
O resultado é marcado com confiança média — visível apenas para terapeutas autenticados — e a tradição de origem fica registrada em campo dedicado no catálogo. Plantas clássicas (documentadas nos saṃhitās) não recebem essa marcação.
Princípios
- Honestidade clínica acima de cobertura. Quando uma planta não tem documentação adequada na tradição declarada, o campo fica vazio ou recebe confiança baixa — nunca inventamos propriedades.
- Sem prabhāva forjada. Prabhāva (ação específica inexplicada por rasa/vīrya/vipāka) é um conceito clássico indiano e não é populada para plantas não-clássicas, mesmo quando seria tentador.
- Precauções e contraindicações em primeiro plano. Para plantas traduzidas, as precauções farmacológicas (interações, populações de risco, dose tóxica) têm precedência sobre a teoria clínica ayurvédica.
- Orientação prática, não dogma. Os karmas listados são orientação para o terapeuta — não substituem julgamento clínico individualizado nem dispensam acompanhamento.
Referências bibliográficas
As referências abaixo foram consultadas para esta curadoria. A plataforma Om não é endossada pelos autores ou editoras citadas — as referências têm caráter exclusivamente bibliográfico, em formato acadêmico, e visam transparência metodológica.
Etnobotânica brasileira
- ANVISA. Farmacopéia Brasileira, 8ª edição. RDC nº 1.026, 15 mai 2026, Volume II — Plantas Medicinais.
- ANVISA. Memento Fitoterápico da Farmacopéia Brasileira.
- Ministério da Saúde. Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).
- LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Fitoterapia ocidental
- ESCOP. European Scientific Cooperative on Phytotherapy Monographs.
- German Commission E. The Complete German Commission E Monographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines.
Medicina Tradicional Chinesa
- BENSKY, D.; CLAVEY, S.; STÖGER, E.; GAMBLE, A. Chinese Herbal Medicine: Materia Medica.
Framework de tradução ayurvédica
- FRAWLEY, D.; LAD, V. The Yoga of Herbs: An Ayurvedic Guide to Herbal Medicine. Lotus Press.
Matéria médica ayurvédica clássica (referência das plantas documentadas)
- Caraka Saṃhitā.
- Sushruta Saṃhitā.
- Bhāvaprakāśa Nighantu.
- Aṣṭāṅga Hṛdaya.
Como reportar erros
Encontrou uma classificação incoerente, um karma sem fundamento, uma precaução ausente ou um dado regulatório desatualizado? Use o botão de feedback presente em cada página de erva. A revisão é manual e os ajustes documentados no histórico clínico do catálogo.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta clínica individualizada com terapeuta ayurvédico habilitado ou profissional de saúde.